do anticapitalismo no séc. XXI (ou seja, passados o XIX e o XX)

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Algumas perguntas a fazer ao nosso anticapitalismo interior (este que mora dentro de mim e você) no século XXI –  cuja resposta não se limita a reafirmar aquilo que já se sabe de cor e salteado (a saber, que a burguesia fede, a burguesia quer ficar rica e que enquanto houver burguesia não vai haver poesia…):

Quando se diz que alguém é conservador isso quer dizer que a gente não é? Uma sociedade se define por suas contradições? Será que o capitalismo também não se fortalece a partir das conquistas dos trabalhadores e não apenas quando a burguesia “intensifica as contradições”? Seria a burguesia o único e verdadeiro agente do capitalismo? Insistir na questão dos direitos dos trabalhadores não seria reproduzir o mecanismo de dominação? Deveriam os trabalhadores reconhecer-se como tal ou reduzir-se a isso também é reproduzir o mecanismo de dominação? Escolher um lado da luta ajuda a levá-la às últimas consequências ou é apenas escolher o papel que se exercerá para mantê-la funcionando? Essa história de “desenvolvimento”, “problemas do país”, “direitos humanos”, “público/privado” não são formas essencialmente capitalistas de se colocar os problemas? A coisa é mesmo assim: mocinhos e bandidos, trabalhadores e burgueses, esquerda e direita, verdade e mentira, justiça e injustiça? Qu’est-ce que verdade e justiça, cara-pálida? O que se faz então? Tâmo mais é fodido mesmo?

Pode até ser…

Certamente, nenhuma dessas perguntas, ou outras do gênero, aparece nas páginas da última edição especial da Caros Amigos sobre a direita. Mas ler serve pra saber o que os dois lados da mesma moeda andam dizendo e fazendo – já que enquanto se tenta responder a essas dúvidas cruéis ainda é preciso tirar algo de ambos.

A direita continua forte, ataca e morde.
Clique aqui para ler o editorial “O que prejudica o Brasil” e o sumário da edição especial da Caros Amigos.

E pra começar a pensar nessas questões, Breton da a letra:

“O que Nadja faz em Paris, ela mesma se faz essa pergunta. Bem, à noite, lá pelas sete, ela gosta de estar num vagão de segunda classe no metrô. A maioria dos passageiros é gente saindo do trabalho. Ela se senta entre eles, procura descobrir no rosto deles o motivo de suas preocupações. Pensam necessariamente no que acabam de deixar até amanhã, só até amanhã, e também no que os espera à noite, algo que os desanuvia ou que os deixa ainda mais preocupados. Nadja fixa alguma coisa no ar: ‘Tem gente admirável’. Mais emocionado do que gostaria de parecer, desta vez eu me zango: ‘Coisa nenhuma. Além do mais, não se trata disso. Essas pessoas não podem ser interessantes, já que suportam o trabalho, com ou sem todas as outras misérias. Como é que isso poderia elevá-las, se nelas a revolta, a mais forte, não está de todo? Naquele momento, eles estão sendo vistos, mas eles nem sequer a vêem. Odeio com todas as forças essa servidão que querem me fazer aceitar. Lamento que o homem esteja condenado a ela, que em geral não possa se ver livre dela, mas não é a dureza da pena que vai me dispor em seu favor: é, e só poderia ser, a veemência de seu protesto. Sei que no forno de uma fábrica, ou diante de uma dessas máquinas inexoráveis que impõem o dia inteiro, com alguns segundos de intervalo, a repetição do mesmo gesto, ou em qualquer outro lugar, sob as ordens mais inaceitáveis, ou na prisão, ou diante de um pelotão de fuzilamento, mesmo assim podemos nos sentir livres, mas não é o martírio que sofremos que cria essa liberdade. Eu quero que a liberdade seja uma permanente quebra de grilhões: contudo, para que essa quebra seja possível, constantemente possível, é necessário que as correntes não nos esmaguem, como fazem com muitos daqueles a quem se refere. Mas a liberdade também é, e humanamente  talvez ainda mais, uma sequência de passos mais ou menos longa, porém maravilhosa, que o homem pode dar fora dos grilhões. Acha que eles seriam capazes de dar esses passos? Terão pelo menos tempo para dá-los? Terão coragem suficiente? Pessoas admiráveis, me disse, está certo, admiráveis como aquelas que se deixaram matar na guerra, não é mesmo? Para encurtar, os heróis: são muitos infelizes e uns poucos imbecis. Quanto a mim, posso afirmar, esses passos são tudo. Aonde eles vão, eis a verdadeira questão. Acabarão por traçar um caminho, e quem sabe se nesse caminho não aparecerá o meio de libertar ou de ajudar a libertar os que não conseguiram seguir adiante? Só então será conveniente demorar um pouco, mas sem voltar atrás’. (Por aí se vê o que sou capaz de dizer sobre o assunto, por menos predisposto que esteja a tratá-lo de maneira concreta.) Nadja ouve sem tentar me contradizer. Talvez tenha querido fazer apenas a apologia do trabalho.”

em construção…

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operar um computador fazendo figas é um desafio e tanto…